CIVITATE - INCENTIVADORES

sexta-feira, 5 de março de 2010

EM 11 ANOS, POLICIAL QUE MANTEVE COLEGA COMO REFÉM TEVE 35 MUDANÇAS DE UNIDADE

"O dia de fúria de um policial."

"O inspetor da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Uerner Leonardo Barreira Passos, 39 anos, viveu ontem (04/03) um dia de fúria. Contrariado com a escala de serviço, ele manteve refém o chefe de investigações da 39ª DP (Pavuna) Marcos Eduardo Maia, que estava desarmado, dentro de uma sala da unidade, durante cinco horas e meia. A negociação foi tensa, e Uerner fez várias exigências para se entregar e liberar o colega. Transtornado, ele apontava a pistola na direção de Maia e ameaçava disparar. Cerca de 100 agentes cercaram a delegacia durante as negociações.

“Ele colocava a arma na direção do meu rosto e ficava se balançando. Estava alucinado. Nada o acalmava. Várias vezes cheguei a pensar que ia mesmo me matar. Prefiro enfrentar vários tiroteios em uma favela do que uma situação como essa novamente. Pensei muito na minha família e só pedia calma para ele”, lembrou Maia, depois de ser liberado.

O impasse começou por volta das 13h, quando Uerner apresentou um Boletim de Inspeção Médica (BIM) — documento que oficializa o pedido de licença médica — ao delegado da 39ª DP, Ricardo Vianna Castro, que não autorizou o afastamento do policial. Irritado, o inspetor se referiu ao delegado como você, que exigia ser tratado como senhor, e ainda o chamou de playboy da Zona Sul. Foi quando Ricardo Vianna deu voz de prisão ao agente. Mas a discussão ficou fora de controle e os dois puxaram suas armas.

Nesse momento, Maia, que entrava no gabinete do delegado, presenciou a cena e tentou desarmar o colega, levando-o para uma sala anexa. Mas armado, Uerner conseguiu render o chefe de investigações e o tomou como refém.

Trinta minutos depois, a delegacia já estava cercada por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Snipers (atiradores de elite) se posicionaram em prédios vizinhos, um helicóptero sobrevoava o local e o delegado Rodrigo Oliveira, diretor de Polícia Especializada, conduzia as negociações.

À medida em que o tempo passava, Uerner fazia mais exigências — uma delas foi trocar socos com o delegado sem que ninguém interviesse, não ser preso e ser transferido de delegacia. “Tenho cultura, cursos operacionais, mas não sou valorizado. Só saio daqui com a imprensa”, gritava ele.

Um dos momentos mais críticos foi quando uma equipe de reportagem foi até a porta do quarto para conversar com o policial. Apontando a arma na direção do inspetor, ele contou à imprensa sua versão, fez acusações contra o delegado e em seguida mandou todos saíram e fechar a porta.

35 Unidades

Ex-paraquedista do Exército com cursos até no Panamá, Uerner Leonardo sempre teve dificuldades de relacionamento dentro da Polícia Civil. Admitido em agosto de 1999, o inspetor teve 35 lotações em diferentes unidades desde então. Nesse período, recebeu só uma punição, por ter faltado a um plantão da 40ªDP (Honório Gurgel), em fevereiro de 2008. A suspensão foi de 16 dias.

Professor de Educação Física, ele chegou a ser preparador físico do juvenil do Vasco. Entre muitas histórias de confusão por onde passou, uma se destaca: certa vez, durante a confecção de um RO, arremessou o teclado em um delegado que prestava queixa. Colegas contam que Uerner tinha manias curiosas, como, por exemplo, todos os dias, pontualmente às 17h, parar o que estivesse fazendo para uma série de flexões de braço.

Avaliação psiquiátrica depois de libertação

Uerner se entregou às 18h30. Mais uma vez, exigiu que uma equipe de reportagem filmasse a ação. Primeiro abriu a porta e liberou Maia. Em seguida, tirou o pente da pistola, colocou a arma sobre uma mesa e saiu. Depois, foi avaliado por psiquiatra e levado à Corregedoria da Polícia Civil. De lá, seguiu para um hospital psiquiátrico.

“Ele será tratado. Está afastado e sem autorização para portar a arma. Vai responder administrativamente e criminalmente. Sendo considerado culpado, será expulso”, explicou Ronaldo Oliveira, diretor de Polícia da Capital."

(Fonte: Leslie Leitão e Maria Mazzei - O Dia online, Terra)

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