
Interessante relato do operoso, inteligente, empreendedor e humanista TENENTE CORONEL FRANKLIN, recebido via
e-mail, que me fiz homenageá-lo, transcrevendo-o seguidamente, com a devida vênia.
Permita-me companheiro, pois vez por outra relatamos momentos de Jesus Cristo, de Gandhi, de Madre Tereza de Calcutá, de Tiradentes, do General Facó, e por que não do Tenente Coronel Franklin?
Eis o relato:
"Nobre amigo, nossa casa foi ao chão, foi demolida para construção de nova obra do governo do Estado. A academia foi literalmente minha casa por 3 (três) longos anos, pois mesmo sendo da PMCE, não tinha familiares aqui no CE e morava no quartel e como todos os outros CADETES comi muita "picanha da Luzanira", "torrei" muito sono em sala de aula, "queimei" fichas pelas madrugadas, cumpri muitas "dolorosas", fiz muitos TAF's em volta daquele campo, tirei muita guarda de quartel e alojamento, principalmente quando criaram a escala de fim de semana só para detidos e eu como sempre brincalhão, quase sempre estava incluído.
Trotes, estes foram especiais, a minha turma (1989) levou à vontade, quantas Malvinas depois da revista noturna, quando chegou a nossa vez de retribuir o favor que nos fizeram, ou seja, "doutrinar" os novos "bichos", um cidadão do 1º ano tenta cortar os pulsos no banheiro devido ao fato de estar na APMGEF por vontade do pai, quem paga o pato? Lógico que o 3º ano e pela primeira vez em todo o curso o CMT da Escola que não havia falado nenhuma vez com a tropa, nem nas formaturas, nos reúne no auditório e dá aquele "blá bla blá" e não deixou nenhum CADETE explicar o ocorrido; conclusão, ficamos proibidos de efetuar os tão esperados trotes, mas sempre demos um jeito e o CMT sem fala nunca soube, hehehe...
Lembra de um macaco prego que tinha no mini zoológico que vivia fugindo? Acabou fazendo amizade comigo de tanto capturá-lo nos fins de semana, que o diga o hoje CORONEL Mendonça que quase sempre mandava chamar os CADETES para apanhar o bicho e conduzi-lo de volta à sua morada, ironicamente sem liberdade tanto quanto eu que estava na "dolorosa," engraçado isso né?
Hoje sou um privilegiado, perdi muitos momentos com minha noiva, hoje minha esposa, aos fins de semana, porém, tenho o prazer de dizer que viví muito mais na Academia que vários outros CADETES, aquela era literalmente a minha casa até ser declarado ASPIRANTE, nosso grande objetivo, aí sim, pude alugar um quitinete e dizer que tinha uma residência normal como todos os normais da sociedade, no entanto, poucos (civis) puderam ter o prazer de ter tido a nossa Academia como morada, este privilégio é só nosso.
Atualmente evito passar em frente para não ver cena tão triste, que aperta meu coração, sem demagogia, ali começou tudo para mim, sou do "RN" e não tinha parentes na cidade e nem perspectiva de um futuro seguro, hoje devo tudo que sou e tudo que tenho, material e emocional à minha Polícia Militar do Ceará, em especial à nobre Academia, pois, foi lá onde tudo começou, realizei o primeiro sonho que era portar um espadim, já sabia o significado daquela pequena espada, sempre fui extrovertido e sempre tive orgulho de ser CADETE e isto ninguém vai me tirar, tenho fotos e muitas lembranças que são só minhas.
Recentemente assumi a direção do Instituto Histórico Cultural da Corporação e lá se encontra grande acervo que foi da nossa casa, irei cuidar e zelar com todo carinho e amor, fazem parte de mim, placas, uniformes, livros, monografias, etc. Fique tranquilo, pois a alvenaria foi ao barro, mas os laços com o nosso grandioso início ficará para sempre no nosso Museu à disposição de todos nós que um dia cantou:
- Da polícia sou cadete..."