CIVITATE - INCENTIVADORES

NOTÍCIAS ON LINE

Loading...

sábado, 26 de dezembro de 2009

MODELO CONTINGENCIAL DE MOTIVAÇÃO DE VROOM

"Enquanto a teoria de Maslow está baseada numa estrutura uniforme e hierárquica de necessidades, a teoria de Herzberg baseia‑se em duas classes de fatores. Ambos repousam na presunção implícita de que existe "uma maneira melhor" (the best way) de motivar as pessoas, seja por meio do reconhecimento da pirâmide de necessidades humanas, seja através da aplicação dos fatores motivacionais e do enriquecimento do cargo. Todavia, a evidência tem demonstrado que diferentes pessoas reagem de diferentes maneiras, conforme a situação em que estejam colocadas.

As limitações tecnológicas de alguns cargos podem, muitas vezes, restringir ou mesmo impedir a plena utilização de fatores motivacionais e do enriquecimento do cargo. Noutros termos, a motivação individual, para produzir em dado momento, depende não só dos objetivos individuais, mas também da percepção da utilidade relativa do desempenho pessoal como um meio gradativo de atingir aqueles objetivos.

Victor H. Vroom desenvolveu uma teoria da motivação que rejeita noções preconcebidas e que reconhece as diferenças acima. A teoria de Vroom está mais dentro da linha atualmente aceita pelos psicólogos e sociólogos contemporâneos. É bastante parecida com a teoria desenvolvida por Atkinson e outros, Edwards na Psicologia Experimental, por Peak, Rosenberg e Fishbein na Psicologia Social. Para Vroom, o nível de produtividade individual parece depender de três forças básicas que atuam dentro do indivíduo:
  • Os objetivos individuais, ou seja, a força do desejo de atingir objetivos;
  • A relação que o indivíduo percebe entre produtividade e alcance dos seus objetivos individuais; e
  • A capacidade do indivíduo influenciar o seu próprio nível de produtividade, à medida que acredita poder influenciá‑lo.
Estas são as três dimensões básicas da motivação segundo Vroom. Para Vroom, um indivíduo pode desejar aumentar a produtividade quando três condições se impõem:

1) Objetivos pessoais do indivíduo: que podem incluir dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento, trabalho interessante, etc. Existem outras combinações de objetivos que uma pessoa pode procurar satisfazer simultaneamente.

2) Relação percebida entre satisfação dos objetivos e alta produtividade: Se um operário tem como importante objetivo ter um salário maior e se trabalha na base de remuneração por produção, poderá ter uma forte motivação para produzir mais. Porém, se a sua necessidade de aceitação social pelos outros membros do grupo é mais importante, poderá produzir abaixo do nível que o grupo consagrou como padrão de produção informal para produzir mais poderá significar a rejeição do grupo.

3) Percepção da sua capacidade de influenciar a sua produtividade: Se um empregado acredita que um grande volume de esforço despendido tem pouco efeito sobre o resultado, tenderá a não se esforçar muito, como é o caso de uma pessoa colocada num cargo sem treino adequado ou do operário colocado numa linha de montagem de velocidade fixa.

Segundo Vroom, esses três fatores determinam conjuntamente a motivação do indivíduo para produzir em dado tempo. O modelo de motivação de Vroom apóia a teoria da motivação de objetivos gradativos, desenvolvida anteriormente por alguns autores e denominado modelo de expectativa de motivação.

Esse modelo é baseado na hipótese de que a motivação é um processo que governa escolhas entre comportamentos. O indivíduo percebe as conseqüências de cada alternativa de ação como um conjunto de possíveis resultados provenientes do seu comportamento particular.

Esses resultados podem ser freqüentemente representados como uma cadeia de relações entre meios e fins. Assim, quando o indivíduo procura um resultado de primeiro nível (produtividade elevada, por exemplo), está à procura de meios para alcançar resultados de nível final (dinheiro, benefícios sociais, apoio do supervisor, promoção ou aceitação do grupo).

Para Vroom, cada indivíduo tem preferências para determinados resultados finais, aos quais denomina valências lembrando a teoria de campo de Lewin. Uma valência positiva indica um desejo de alcançar determinado resultado final, enquanto uma valência negativa implica um desejo de fugir de um determinado resultado final.

Os resultados de primeiro nível apresentam valências em função da sua relação percebida com os resultados finais desejados. No esquema anterior, a produtividade elevada (resultado de primeiro nível) não têm valências em si, mas ganha‑as enquanto estiver relacionada com o desejo do indivíduo de atingir determinados resultados finais.

Essa relação causal entre resultado de primeiro nível e resultado final é denominada instrumentalidade. A instrumentalidade apresenta valores que variam de +1,0 a ‑1,0 (como os coeficientes de correlação), dependendo de estar diretamente ligada ao alcance dos resultados finais ou não. Se, no caso acima, o indivíduo perceber que não há relação alguma entre a sua produtividade elevada e o dinheiro, a instrumentalidade será zero, ou, noutros termos, de nada adianta para ele a produtividade elevada para alcançar dinheiro.

O desejo do indivíduo (valência) para uma produtividade elevada é determinado pela soma das instrumentalidades e valências de todos os resultados finais. Assim, a motivação de um indivíduo e o seu esforço motivado poderão influenciá‑lo a perceber que as suas ações poderão alterar o seu nível de desempenho. Essa percepção subjetiva de ação‑resultado é definida como expectativa.

Os valores de expectativa (como os níveis de probabilidade) podem variar de 0 a +1,0, dependendo do grau de certeza percebida com que as atividades do indivíduo poderão influenciar o seu nível de desempenho. Assim, um indivíduo somente procurará trabalho extraordinário quando perceber que o seu esforço e a sua capacidade poderão resultar numa produtividade elevada, a qual, por seu turno, poderá proporcionar-lhe dinheiro, promoção, apoio do supervisor, etc.

A teoria de Vroom é denominada Modelo Contingencial de Motivação, porque enfatiza as diferenças entre as pessoas e entre os cargos. O nível de motivação de uma pessoa é contingente sob duas forças que atuam numa situação de trabalho: as diferenças individuais e as maneiras de operacionalizá‑las. A teoria de Vroom é uma teoria da motivação e não do comportamento.

Embora apresente interessantes perspectivas de predição do comportamento individual nas organizações, deixa muitas questões no ar. Em muitos cargos relacionados com a produção, a tarefa é projetada para limitar e restringir as alternativas de comportamento do operário.

Somente quando o operário pode ser escolhido entre várias alternativas e é capaz de selecionar uma escolha é que o modelo pode ser utilizado. Em segundo lugar, é muito difícil conhecer de antemão os objetivos que têm uma valência positiva numa situação de trabalho. Em terceiro, é difícil conhecer quanto uma diferença é necessária entre alternativas de resultados para levar o indivíduo a escolher uma alternativa em vez de outra.

Assim, a motivação para o trabalho envolve uma complexa interrelação entre variáveis, como:

1. Expectativas, cuja natureza e força varia no mesmo indivíduo conforme as necessidades e aspirações ao longo do tempo;
2. Recompensas, a percepção do indivíduo de potenciais satisfacientes na situação; e
3. Relações, a percepção do indivíduo de possíveis recompensas para seus resultados.

O esquema seguinte mostra o processo motivacional em termos sistêmicos e contingenciais. As atividades de um indivíduo constituem função de entradas (inputs), seja de tarefa ou de tarefas percebidas ou de recompensas percebidas. O indivíduo avalia as entradas (inputs) de acordo com a sua motivação e força das necessidades no momento, o que resulta numa atitude ou num mecanismo de direção do seu comportamento. Esta atitude determina o seu comportamento (output) e a quantidade e qualidade do seu desempenho."

(Fonte: Adail Bessa de Queiroz et alli. In Temas de Chefia & Liderança)

Um comentário:

  1. Preazado Mestre.
    Descobri o vosso blog pesquisando sobre as teorias de Vroom, Maslow e Resemberg. Vi que a nossa colega Raquel Rebouças tambem faz parte desse grupo de estudos e agora eu também aderi ao blog.
    Osvaldo Vilela

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.