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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BRASIL PRECISA DE 23,4 MILHÕES DE MORADIAS PARA ZERAR DÉFICIT HABITACIONAL

Levantamento realizado em parceria entre a Fundação Getúlio Vargas e a LCA indica que o Brasil precisa construir 23,4 milhões de moradias para zerar o déficit habitacional até 2022. O estudo será apresentado durante 9º Congresso Brasileiro da Construção e depois encaminhado ao governo federal como subsídio para a elaboração de um plano de desenvolvimento para o País.

Para atingir a meta, o estudo diz ser preciso investimentir cerca de R$ 255 bilhões ao ano. A capacitação de mão de obra também deverá ser um gargalo a ser enfrentado, pois os atuais dez milhões de trabalhadores do setor serão insuficientes.

Outro número que dimensiona o tamanho do desafio é a quantidade de terrenos. A estimativa é de que serão necessários 900 milhões de metros quadrados para abrigar as novas residências.

“As necessidades para um horizonte de 12 anos e os números levantados impressionam”, afirma Manoel Rossitto, diretor do Sindicato da Indústria da Construção Pesada.

Para o executivo, as soluções que se antecipam são aumentar em muito a produtividade, passando a usar mais tecnologia na indústria da construção.

Mercados não são solução para a habitação

Depender dos bancos privados para financiar o acesso à habitação vai deixar mais pessoas sem teto nas cidades, em lugar de convertê-las em proprietárias, alertou Raquel Rolnik, relatora especial da Organização das Nações Unidas para Habitação Adequada.

A crença de que os mercados fornecem habitação apropriada para todos demonstrou ser incorreta. Uma casa não é uma matéria-prima. É um lugar para viver em paz, com segurança e dignidade”, acrescentou.

A excessiva ênfase para que todos sejam proprietários da casa em que vivem como única solução é parte do problema. Os sem-teto não são todos pobres. Também é uma ameaça para os que têm um trabalho, mas não podem enfrentar os preços determinados pelo mercado”, acrescentou a especialista. A maioria dos analistas considera que as execuções hipotecárias nos Estados Unidos são consequência de problemas de liquidez, falta de regulamentações ou uma mistura de ambos. Rolnik apresenta uma abordagem completamente diferente. “A crise desencadeada pelas hipotecas de risco reflete deficiências fundamentais na nossa abordagem à habitação e à insuficiência dos mecanismos de mercado para oferecer casas adequadas e acessíveis a todos”, assegurou Ronilk.

Para a relatora da ONU, haverá um forte aumento do número de pessoas sem casa nos Estados Unidos, na medida em que os proprietários e inquilinos se virem cada vez mais afecados pelas execuções hipotecárias. “Como a crise está a propagar-se a outros países, as coisas podem piorar. Milhões vão ser desalojados porque não podem pagar suas prestações”, afirmou. As críticas de Ronilk coincidem com a publicação do relatório intitulado “Estado das Cidades do Mundo”, apresentado pela diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos (Habitat), Anna Tibaijuka.

Segundo o estudo, 33% dos habitantes de cidades de países em desenvolvimento vivem em bairros precários, em muitos casos sem acesso a serviços sanitários e água potável. “A crise financeira que vivemos nestes dias foi gerada durante anos e agora eclodiu”, disse Tibaijuka, que pediu urgência aos governos no sentido de assumirem a responsabilidade de dar abrigo decente aos mais pobres. O relatório revela que a desigualdade em matéria de habitação também cresce nas nações ricas: as cidades norte-americanas são “tão desiguais” quanto as da África e América Latina.

“Grandes cidades dos Estados Unidos como Atlanta, Nova Orleans, Nova York e Washington têm o maior nível de desigualdade do país, semelhante aos de Abidjan, Buenos Aires, Nairóbi e Santiago do Chile”, acrescenta o estudo. A raça é um dos fatores de maior peso que explicam essa desigualdade no Canadá e nos Estados Unidos. As últimas pesquisas revelam que a maioria das famílias que perdem as suas casas são de origem afro-norte-americana ou hispânica. Um relatório do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos assinalou há alguns meses que havia no país mais de 120 mil pessoas em risco de ficar sem teto. Porém, estudos independentes sugerem que esse número, na verdade, é muito maior.

Segundo a Administração de Saúde Mental e Vício, dos EUA, existem no país quatro milhões de pessoas sem lar, que representam mais de 10% dos pobres. Entretanto, segundo o relatório da ONU, os pobres em muitas cidades dos Estados Unidos não sofrem as penúrias dos que lutam para sobreviver nas grandes cidades do Sul em desenvolvimento, que podem ter consequências políticas e sócio-econômicas que catalisem a desestabilização social. Tibaijuka pediu aos líderes mundiais que tomem consciência da urgente necessidade de “um planeamento urbano efetivo, gestão e governabilidade”.

Na opinião de Rolnik, “o aumento das execuções hipotecárias e o número de pessoas sem lar limita a capacidade das cidades e das comunidades para financiar programas sociais e aprofundar a deterioração urbana. Os países devem reconhecer o direito de todos a uma habitação adequada”. Neste aspecto, acrescentou, algumas nações em desenvolvimento estão mais avançadas do que as ricas. A legislação em matéria de habitação deve ser definida com a participação de todos os sectores interessados, não apenas pelos representantes dos ministérios de finanças e da indústria da construção. “Os mercados, mesmo com regulamentações adequadas, não podem fornecer habitação adequada para todos”, concluiu Rolnik.

(Fonte: Guilherme Barros - iG; Haider Rizvi - Esquerda.net; José Correa Leite - Outra Política)

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