CIVITATE - INCENTIVADORES

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O REAL PROBLEMA DAS DROGAS

"O presidente Lula mostrou nesta segunda 19 ou má vontade ou desconhecimento ao expressar sua opinião sobre a legalização das drogas. "Eu, sinceramente, não acredito que a legalização das drogas vai resolver o problema do consumo. Não acredito", disse o presidente, conforme a Agência Estado. Quem falou em consumo, cara pálida? Os defensores da legalização das drogas alegam que a medida ajuda e muito na solução do problema do tráfico, o mesmo que acaba de derrubar um helicóptero da PM no Rio, matando dois policiais. Por acaso são os consumidores de drogas que derrubam helicópteros, matam, se armam com arsenais de guerra? Ou os traficantes?

Na continuação de sua fala, Lula declarou: "precisamos evitar que as pessoas consumam (...) Cada dia temos a sensação de que é uma causa perdida, mas não podemos desanimar". Ora, um lampejo consciência, é sim uma causa totalmente perdida, presidente. Se as pessoas vão continuar consumindo, independente da vontade do líder da nação, como acabar com o tráfico ilegal de entorpecentes, em especial da cocaína, cuja disputa pelo controle instaura o terror na vida da população, como neste caso do RJ? Ora, se nos livrarmos das amarras dos preconceitos, veremos que um bom caminho é a legalização, que nem o álcool, o cigarro, pois se não é possível acabar com o consumo, sempre vai haver alguém vendendo e ganhando muito dinheiro com isso. Por que só esses dois tipos de drogas (fora as de farmácia) podem gerar emprego formal, renda e impostos e os outros não? O álcool não é permitido para o uso recreativo? Lula e o Congresso inteiro não dão risadas tomando seu whiskynho? Por que a mesma regra não pode ser aplicada a muitas drogas, como a maconha, por exemplo?

A declaração do presidente Lula é a típica atitude de "tapar com o sol com a peneira", ao invés de procurar caminhos para uma política verdadeiramente eficiente em relação às drogas. É preciso refletir sobre o real problema dentro da questão. De forma alguma a legalização se associa com a apologia. Defendo que caso acontecesse, fosse acompanhada de um rígido controle para que não houvesse publicidade das substâncias liberadas, como é fortíssimo com o álcool e o tabaco, induzindo até crianças a experimentarem precocemente.

A edição que saiu este mês do Le Monde Diplomatique Brasil destaca o assunto na capa. Traz vários artigos, inclusive um intitulado "10 razões para legalizar as drogas", do comandante John Grieve, da Unidade de Inteligência Criminal da Scotland Yard britânica. Os argumentos de Grieve são fortes: "A maioria da violência associada com o negócio ilegal da droga é causada por sua ilegalidade. A legalização permitiria regular o mercado e determinar um preço muito mais baixo, acabando com a necessidade dos usuários de roubar para conseguir dinheiro. (...) Por causa do preço baixo, os fumantes de cigarro não têm que roubar para manter seu hábito. (...) Um mundo de desinformação sobre drogas e uso de drogas é engendrado pelos ignorantes e preconceituosos burocratas da política e por alguns [no Brasil é maioria] meios de comunicação que vendem mitos e mentiras para benefício próprio".

O final do artigo é um xeque-mate: "Não existe nenhuma evidência para mostrar que a proibição esteja resolvendo o problema. A pergunta que devemos nos fazer é: Quais são os benefícios de criminalizar qualquer droga? Se após analisarmos todas as evidências disponíveis concluirmos que os males superam os benefícios, então temos de procurar uma política alternativa. A legalização não é a cura para tudo, mas nos permite encarar os problemas criados pela proibição. É chegada a hora de uma política pragmática e eficaz sobre drogas"."

(Fonte: João Coimbra - Fundação Lauro Campos por e-mail)


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