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domingo, 23 de maio de 2010

PAÍS PRECISA DE IMPLANTAÇÃO ESTRATÉGICA DE FERROVIAS

"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou na manhã da quarta-feira, dia 19/05, seu Comunicado nº 50, intitulado Transporte Ferroviário de Cargas no Brasil: Gargalos e Perspectivas para o Desenvolvimento Econômico e Regional. O estudo foi elaborado pela Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea (Diset) e pela Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur).

Marcio Wohlers, diretor da Diset, abriu a coletiva ressaltando a importância da série de estudos sobre a infraestrutura brasileira. Ele enfatizou que estudos sobre as ferrovias são fundamentais para a expansão da economia do País. "O Brasil é um País muito atrasado em termos de ferrovia, o que prejudica o nosso comércio internacional", disse.

Fabiano Pompermayer, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, fez um histórico do transporte ferroviário no Brasil, destacando a década de 1950 como partida para a política atual de transportes. Segundo ele, menos de 10 mil quilômetros de ferrovias são utilizados de forma a justificar sua manutenção. Atualmente, o Brasil tem pouco mais de 28 mil quilômetros de malha ferroviária.

O técnico defende a implantação estratégica da malha ferroviária no Brasil. "Não dá para construir ferrovias em todo o País, é preciso criá-las onde exista carga a ser transportada, apesar de que, em certos casos, a presença de uma ferrovia também incentiva o crescimento da produção em dada região do País", afirmou Pompermayer.

No encerramento, Wohlers falou sobre a evolução do setor ferroviário no contexto atual da economia brasileira. "Hoje, o País produz commodities e produtos industrializados. O Brasil não pode ter a mesma política de transportes na década de 1950, pois mudou muito, e o mercado consumidor interno é muito expressivo", destacou o diretor. A apresentação do Comunicado também foi feita por Bruno Cruz, diretor adjunto da Dirur; Carlos Campos, coordenador de Infraestrutura Econômica da Diset; e Bolívar Pego, coordenador de Desenvolvimento Urbano da Dirur.

Série

O Comunicado faz parte de um conjunto amplo de estudos sobre o que tem sido chamado, dentro da instituição, de Eixos do Desenvolvimento Nacional: inserção internacional soberana; macroeconomia para o pleno emprego; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; infraestrutura e logística de base; estrutura produtivo-tecnológica avançada e regionalmente articulada; proteção social e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.

A série nasceu de um grande projeto denominado Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro, que busca servir como plataforma de sistematização e reflexão sobre os desafios e as oportunidades do desenvolvimento nacional, de forma a fornecer ao Brasil o conhecimento crítico necessário à tomada de posição frente aos desafios da contemporaneidade mundial.

Os documentos sobre os eixos do desenvolvimento trazem um diagnóstico de cada campo temático, com uma análise das transformações dos setores específicos e de suas consequências para o País; a identificação das interfaces das políticas públicas com as questões diagnosticadas; e a apresentação das perspectivas que o setor deve enfrentar nos próximos anos, indicando diretrizes para (re)organizar a orientação e a ação governamental federal.

Comunicados

Ao todo, a coleção terá dez livros, cujos capítulos deram origem aos comunicados desta série. Estiveram envolvidas no esforço de produção dos textos cerca 230 pessoas, 113 do próprio Ipea e outras pertencentes a mais de 50 diferentes instituições, entre universidades, centros de pesquisa e órgãos de governo, entre outras.

O livro no qual o comunicado se insere trata de infraestrutura econômica, cuja função é dar apoio às atividades do setor produtivo. A melhoria da infraestrutura econômica trem impacto direto sobre as empresas e indústrias e pode ampliar a capacidade produtiva por meio de custos, tecnologias e capacidade de distribuição.

Dentro da série, ainda serão divulgados comunicados sobre setor elétrico, transporte aéreo, rodovias, biocombustíveis, telecomunicações e petróleo e gás e experiências latino-americanas. Cada capítulo dará origem a um Comunicado do Ipea, que tem por objetivo antecipar estudos e pesquisas mais amplas conduzidas no Instituto, como é o caso da obra completa, que terá dez volumes e cerca de 9 mil páginas. O livro sobre infraestrutura econômica terá cerca de 700 páginas."

(Fonte: IPEA - Via e-mail da Fundação Lauro Campos)

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