"Mais de 200 pessoas estiveram no Cemitério Parque da Saudade, onde o corpo da jornalista foi sepultado, ontem."
Caminhando pelas alamedas do cemitério após o sepultamento, Adalberto Porto, pai de Kérsia, definiu a sensação dos familiares. "Estou flutuando, como se fosse um sonho", lamentou. Ele e a mulher, Thelma Porto, foram os últimos a deixar o local onde a jornalista foi sepultada. Antes de sair, eles permaneceram alguns minutos contemplando as mais de dez coroas de flores depositadas sobre o túmulo da filha.
O corpo de Kérsia foi velado por amigos e parentes desde a tarde do último sábado, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE), de onde partiu às 9 horas para o cemitério, localizado no município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Escoltado por policiais da Companhia de Policiamento Rodoviária (CPRV) e do grupo Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio), o cortejo com o corpo de Kérsia Porto chegou ao Parque da Saudade, exatamente às 10h15 e seguiu para a Capela sob o olhar de amigos e familiares.
A Capela ficou pequena para as cerca de 200 pessoas que compareceram ao sepultamento. Um dos que preferiu permanecer do lado de fora, enquanto aguardava o início de uma missa em homenagem a jornalista, foi o deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa, Nelson Martins (PT).
O parlamentar afirmou que a morte de Kérsia foi uma "verdadeira tragédia". Lembrando de momentos da convivência com a jornalista na Assembleia, Martins disse como ela era no ambiente de trabalho. "Ela era uma pessoa simples. Todos gostavam dela".
Além de jornalistas e colegas da TV Assembleia, profissionais que trabalharam com Kérsia na Assessoria da Polícia Militar, como o Relações Públicas da PM, major PM Marcos Costa, não escondiam a tristeza pela partida da companheira de trabalho. "Perdemos uma grande profissional, mas também uma grande amiga", afirmou o oficial.
Perguntado por jornalistas sobre o fato de o sargento Amorim estar portando a arma da PM na sua folga, Costa foi enfático. "O procedimento correto era ele deixar a arma no Quartel, o que ele sempre cumpriu, mas nesse dia, ele não obedeceu a esse procedimento", disse.
O major capelão Pedro Castelo foi outro colega da PM que não se conteve. Ele presidiu a missa de corpo presente, mas ficou com a voz embargada em vários momentos da celebração. Após a missa, o corpo seguiu até o túmulo. Após algumas músicas, o silêncio prevaleceu, entrecortado pelo choro emocionado dos amigos e parentes, enquanto flores foram colocadas sobre o caixão. No fim, um fã anônimo que só conhecia Kérsia pela TV e estava no cemitério para visitar o túmulo de um parente, iniciou uma salva de palmas, que foi seguida por todos com muita comoção.
Kérsia foi assassinada na porta de casa, quando chegava com o marido, o sargento e fiscal do Ronda do Quarteirão, sargento Amorim, de uma festa de casamento. Em uma câmera fotográfica ficaram os últimos registros do jovem casal horas antes do crime que interrompeu brutalmente a trajetória da jornalista.
No corpo da jornalista foram encontradas seis perfurações provocadas por tiros de pistola ponto 40, duas nas costas, uma no peito esquerdo, outra no braço esquerdo e duas nas coxas. O carro também ficou marcado por balas, o que levanta a suspeita de que a jovem tenha tentado fugir. No corpo do PM foi encontrado apenas um tiro, na boca. A Polícia trabalha, incialmente, com a hipótese de homicídio seguido de suicidio).
(Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Portal do SVM)
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