CIVITATE - INCENTIVADORES

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A VIOLÊNCIA E AS CIDADES

FORTALEZA - CE

A cidade que muitos querem que todos vejam...

É incrível como existem teorias explicando a VIOLÊNCIA URBANA, inclusive uma percepção de HENRI LABORIT, que por curiosidade ou talvez por ser uma das “maiores verdades”, não poderíamos deixar de observá-la. HENRI LABORIT, biólogo, ensina que o cérebro de todos nós é formado por três cérebros: o do réptil, o do mamífero e o do homem propriamente.

Quer dizer: ao longo de milhões de anos, um cérebro simples de réptil foi sendo envolvido por outra massa cerebral (“calote cortical”), surgindo, deste acréscimo aperfeiçoador, os mamíferos. O cérebro dos antigos répteis continua em pleno funcionamento dentro da nossa cabeça e os médicos se referem a ele como o “núcleo do hipotálamo”; da mesma forma o cérebro dos primeiros mamíferos, sendo que os médicos o chamam de “sistema límbico”. Há, porém, uma camada fina que envolve estes dois cérebros mencionados: o cérebro imaginante, a única massa cerebral que só é encontrada no ser humano.

Explica então o Dr. Laborit, que o cérebro reptiliano responde pelas reações mais rudimentares do nosso comportamento, como, a partir da fome, da sede, frio ou excitação sexual, a busca de alimentos, água, a delimitação de território para viver e abrigar-se, o cio e o acasalamento. Já o cérebro mamífero é um sistema eficiente de coleta e retenção de dados, desenvolvendo a memorização e tornando-nos ritualísticos.

Mas o Cérebro imaginante, tipicamente humano, mostra-se capaz de combinar os dados da memória de infinitas maneiras – capaz de inventar. Se os dois primeiros cérebros procuram a sobrevivência, suas funções são de preservação, o cérebro imaginante apresenta funções que visam a libertação humana, em todos os sentidos, o homem se torna capaz de superar a si mesmo. Mas Laborit esclarece que este cérebro é dominado pelo do réptil e do mamífero, muito embora o cérebro imaginante tende a se desenvolver caso o próprio meio social não lhe tolha o desenvolvimento. Será que Laborit pensa que nossas cidades estão nessa situação justamente porque o nosso cérebro imaginante permanece o menos desenvolvido?

AS CIDADES

As residências têm, comumente, espaços depreciativos (como os “aposentos de terceiros” e os quartos de depósito – “bregueços”) e espaços mais valorizados (bonitas salas de estar, bar – que substituíram os santuários). Em geral, os lares não apresentam espaços homogêneos. Assim, são as cidades – devemos trabalhar contra isso, pois via de regra esta realidade se estende para todos os espaços habitados pelos seres humanos, marcadamente no interior do sistema capitalista.

O mencionado confronto entre fracos e fortes. Ao olharmos o mapa de uma metrópole nela veremos favelas, bairros pobres de periferia. Mas nem sempre foi assim, ao que tudo indica os primeiros ajuntamentos humanos devem ter sido formas de reação ao medo. Os homens vivendo bem próximos poderiam apoiar-se mutuamente e se solidarizar ante os perigos que vinham de fora do grupo.

O Capital surgiu daí: Homem + Produção + Dinheiro. As grandes cidades concentram a propriedade dos meios de produção. Consta que as ações humanas são determinadas por dois elementos: o desejo e o poder. Razão pela qual devemos ter otimismo e esperança, pois o indivíduo não pode viver sem desejos, vontade, senão inicia sua auto-anulação.

De outra parte, mantendo-se o desejo e havendo um colapso do poder, a pessoa se vê tomada pela ansiedade e pelo medo. Estes dois últimos fatores gera o sentimento de impotência e de fragilidade. Um ser humano cheio de aspirações e sem nenhum poder de realizá-las, torna-se, de uma ou outra forma, violento. Torna-se hostil.

Autoridades policiais e os meios midiáticos costumam afirmar que nos bairros pobres de periferia é onde a violência é mais crua e deflagrada. Isto não quer dizer que os pobres são, naturalmente mais violentos. Quer isto significar que o grau de impotência que lhes foi imposto acua-os de tal forma que, em certos momentos, só os atos de violência se apresentam para eles como alternativa de libertação e sobrevivência.

Lapierre disse: “a brutalidade é a violência dos fracos. A violência dos poderosos é calma, fria, segura de si mesma; suas técnicas de opressão são discretas, refinadas e, enfim, terrivelmente eficazes”.

Auzele, urbanista, afirma que há espaços depressivos (mal cuidados, sujos, tristes, abandonados); espaços agressivos (ruas estreitas, ruas com excesso de parafernálias de propaganda, som, poluição que agride, ousadia dos automóveis); espaços depreciativos (locais onde morar, as vezes pelo próprio nome os moradores procuram omitir, pois pode gerar preconceitos); espaços absurdos (os que fogem o controle até do “Estado” e realmente carecem de qualquer sentido de vida para nós).

Na maioria das nossas cidades quem manda são os automóveis, as fábricas, o comércio... Não existem espaços tranqüilos ou suficientes para o lazer, o viver, o bem-estar... Compete, principalmente à Polícia restabelecer essa realidade. Devolver aos cidadãos seus espaços, ... , sua cidade, sua cidadania...

Outrossim, a sociedade não abre mão de reagir contra o crime. O símbolo mais vivo do crime é o criminoso, aí inicia-se um processo consciente ou inconsciente de se eliminar, destruir o criminoso. É mais difícil combater as causas. Aí compete, também, à Polícia restabelecer essa realidade. Envolver os cidadãos como AGENTES DAS CAUSAS E NÃO DAS CONSEQÜÊNCIAS. Devolver aos cidadãos seu sagrado direito de ir e vir... suas vidas...

FORTALEZA - CE

A cidade que muitos não querem que todos vejam.

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