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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PRESIDENTE ELEITO DO TST ENTRA COM MANDADO DE SEGURANÇA NO STF PARA TOMAR POSSE

O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen (foto acima), entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que adiou a posse da nova diretoria do tribunal, marcada para 2 de março. O relator do caso é o ministro Antonio Dias Toffoli.

Na última quarta-feira (16/02), o conselheiro Jorge Hélio Chaves concedeu liminar suspendendo a posse por entender que poderia haver ilegalidade no exercício da presidência por Dalazen. Em dezembro passado, o ministro foi eleito novo presidente do TST após passar dois anos na corregedoria e dois anos na vice-presidência do tribunal. Entretanto, a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) determina que não é possível que um magistrado fique na direção de um tribunal por mais de quatro anos.

Ao suspender a posse até que o caso seja analisado em definitivo pelo plenário do CNJ, Jorge Hélio destacou que o STF e o próprio CNJ têm precedentes que impedem magistrados de exercer mais de dois mandatos em cargo de direção.

A exceção ocorre quando nenhum outro ministro quer o cargo. Isso não ocorreu no TST no ano passado, uma vez que outros ministros se candidataram à presidência. Com a decisão de Jorge Hélio, os atuais dirigentes ficam no cargo até o desfecho do caso.

No mandado de segurança, a defesa de Dalazen argumenta que a regra do Regimento Interno do TST considerava que as férias estariam excluídas para efeito da contagem de tempo de ocupação do cargo. Para a defesa do ministro, tal atitude “constituía uma evidente sinalização da Corte de que, em nome do consenso e da continuidade administrativa, legitimava a eleição sucessiva para o cargo de presidente, mesmo em caso de exercício anterior dos cargos de corregedor-geral e de vice-presidente”.

No início do ano, o ministro eleito para a vice-presidência do TST para o próximo biênio, Carlos Alberto de Paula, renunciou ao cargo por entender que a permanência de Dalazen por mais de quatro anos em cargo de diretoria iria ferir a Loman. Com a renúncia, foi eleita para o cargo a ministra Maria Cristina Peduzzi e para a corregedoria o ministro Barros Levenhagen.

(Fonte: Débora Zampier - Agência Brasil, Uol)


MILITARES SÃO CONDENADOS POR ESTUPROS

Um tribunal militar da República Democrática do Congo condenou nesta segunda-feira (21/02), um tenente-coronel do Exército a 20 anos de prisão pelo estupro em massa de mais de 50 mulheres na conturbada região leste do país. Outros oito militares também foram condenados. Três receberam a mesma pena do tenente-coronel Mutuare Daniel Kibibi. Cinco tiveram condenações menores.

Promotores pediam pena de morte para Kibbi, que é acusado de ordenar que suas tropas atacassem o vilarejo de Fizi na noite de ano novo. Após o ataque, médicos relatam ter atendido 62 mulheres vítima de estupro. Uma das vítimas disse que foi violentada pelo próprio tenente-coronel por cerca de 40 minutos.

Ex-rebelde, casado e pai de oito filhos, Kibbi, que tem 46 anos, foi considerado culpado de quatro acusações por crimes contra a humanidade e, além da pena de prisão, foi expulso do Exército. Ele nega todas as denúncias e afirma que os testemunhos dados por seu seguranças no tribunal são parte de um complô contra ele.

Os ataque aconteceram em Kivu do Sul, província instável, rica em minérios, onde os abusos são comuns em meio aos confrontos entre o Exército, rebeldes locais e estrangeiros e combatentes de milícias. O julgamento deste caso está sendo visto como um teste para o sistema jurídico do país na responsabilização de agressores por seus atos.

(Fonte: Agências internacionais, O Globo)

DONO DE RESTAURANTE É VÍTIMA DE LATROCÍNIO EM MAIS UM FINAL DE SEMANA VIOLENTO EM FORTALEZA

Mais um final de semana violento em Fortaleza e Região Metropolitana. Vários homicídios foram registrados. Entretanto, repercute muito na capital cearense, o latrocínio em que foi vítima o comerciante Alexandre Silva Passos, 33 anos, dono de um restaurante localizado em frente ao Shopping Iguatemi, na Avenida Washington Soares com a Rua Paulo Roberto Pinheiro, ocorrido na noite desse domingo (20/02).

O crime, segundo relatório da polícia, foi cometido por quatro marginais. No interior do restaurante, um dos bandidos foi à cozinha e atirou na cabeça da vítima, morrendo na hora. Esse foi o segundo assalto ao restaurante. Na primeira vez, os marginais trancaram os clientes nos banheiros.

A área é muito movimentada e repleta de rotas de fugas, tanto pelas avenidas Washington Soares, Miguel Dias, Rogaciano Leite, Sebastião de Abreu, Engenheiro Santana Júnior e até se for a pé, existe o Parque Ecológico do Cocó nas proximidades (acima fotos aéreas do local).

Vejamos os casos registrados entre a sexta-feira (18/02) e a noite do domingo (20/02), na Grande Fortaleza:

1) HOMICÍDIO A BALA
15H51 - Sexta-feira
LOCAL: RUA LEÃO VELOSO, PARQUE IRACEMA - FORTALEZA.
VÍTIMA: JOÃO MARIANO DA COSTA.

2) HOMICÍDIO A BALA
20H44 - Sexta-feira
LOCAL: AV. MOZART PINHEIRO DE LUCENA, QUINTINO CUNHA - FORTALEZA.
VÍTIMA: AUGUSTO DE SALES SOUSA.

3) HOMICÍDIO A BALA
20H57 - sexta-feira
LOCAL: RUA PROFESSOR VALDEVINO, SABIAGUABA - FORTALEZA.
VÍTIMA: FRANCISCO ELDES DA SILVA GOMES.

4) HOMICÍDIO A BALA
04H06 - Sábado
LOCAL: RUA PEDESTRE VI, CONJUNTO FLUMINENSE - FORTALEZA.
VÍTIMA: LUIS ALBERTO DA SILVA.

5) HOMICÍDIO A FACA
12H13 - Sábado
LOCAL: RUA CAPITÃO OLAVO, AEROLÂNDIA - FORTALEZA.
VÍTIMA: INACIO MOREIRA DE SOUSA.

6) HOMICÍDIO A BALA
14H50 - Sábado
LOCAL: RUA VALPARAISO, CONJUNTO PALMEIRAS - FORTALEZA.
VÍTIMA: JÚLIO ARÃO DE CASTRO NETO.

7) HOMICÍDIO A FACA
18H21 - Sábado
LOCAL: RUA SEIS, BARRA DO CEARÁ - FORTALEZA.
VÍTIMA: MENOR DE IDADE.

8) HOMICÍDIO A BALA
19H58 - Sábado
LOCAL: RUA JOÃO AMORA MOREIRA, CAMARÁ, AQUIRAZ - RMF.
VÍTIMA: JOSÉ VALDIR MARCELINO DA SILVA.

9) HOMICÍDIO BALA
20H15 - Sábado
LOCAL: RUA LIBÂNIA, SERRINHA - FORTALEZA.
VÍTIMA: ANTÔNIO ALDENOR FERREIRA DE ARAÚJO.

10) HOMICÍDIO A BALA
20H31 - Sábado
LOCAL: RUA LEANDRO HENRIQUE, SIQUEIRA - FORTALEZA.
VÍTIMA: CESANILDO DANTAS MARTINS.

11) HOMICÍDIO A BALA
21H46 - Sábado
LOCAL: RUA TAMPICO, PARQUE GUADALAJARA-CAUACIA - RMF.
VÍTIMA: ESCLEI JANUARIO BRASIL.

12) HOMICÍDIO A BALA
22H09 - Sábado
LOCAL: RUA EURICO MEDINA, DOM LUSTOSA - FORTALEZA.
VÍTIMA: FRANCISCO DE ASSIS FREIRE DA SILVA.

13) HOMICÍDIO
22H28 - Sábado
LOCAL: RODOVIA RAIMUNDO PESSOA DE ARAÚJO, MUCUNAM, MARACANAÚ - RMF.
VÍTIMA: WILISSON PEREIRA ALEXANDRE.

14) HOMICÍDIO A BALA
04H18 - Domingo
LOCAL: AV. SÃO VICENTE DE PAULA, JUREMA – CAUCAIA - RMF.
VÍTIMA: DIRCILENE FRANCISCA LIMA DE SOUSA.

15) HOMICÍDIO A BALA
20H32 - Domingo
LOCAL: AV. DESEMBERGADOR GONZAGA, CIDADE DOS FUNCIONÁRIOS - FORTALEZA.
VÍTIMA: RAUL MAIA DAMASCENO.

16) HOMICÍDIO A BALA
22H03 - Domingo
LOCAL: RUA PROFESSOR CABRAL, PARQUE SANTA ROSA - FORTALEZA.
VÍTIMA: JOSÉ WILSON NOGUEIRA DE LUCENA.

17) HOMICÍDIO BALA
23H59 - Domingo
LOCAL: RUA PAULO ROBERTO PINHEIRO, CONJUNTO GUARARAPES - FORTALEZA
VÍTIMA: ALEXANDRE SILVA PASSOS.

(Fonte: O Povo, Jangadeiro online e SSPDS/CE)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

JUIZA CITA OPÇÃO DE TORCER FLAMENGO OU FLUMINENSE EM SENTENÇA INTERESSANTE

A juíza Andréa Pachá, de Petrópolis - RJ, condenou a pagar R$ 600, referente a custas, os autores de uma ação em que um pai e uma mãe, separados, discordavam da melhor escola para matricular o filho.

Na sentença, a magistrada passa um "sabão" nos pais: “O único motivo que trouxe as partes ao Judiciário foi a incapacidade de comunicação entre ambos (...) Nem todo conflito pode ser apreciado pelo Estado. (...) Vinho tinto ou branco, café ou chá, Flamengo ou Fluminense... são alternativas com as quais nos deparamos de forma permanente (...). Não pode o Judiciário substituir os pais na definição de um ou outro colégio.

(Fonte: Bola de Meia - O Globo)

DINHEIRO SOME DA SECRETARIA DE SEGURANÇA

Um montande no valor de quase R$ 30 mil do Fundo Penitenciário sumiu de um cofre, dentro da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, em São Luís. O sumiço dos recursos, que deveriam ser pagos a presos que cumprem pena trabalhando, foi percebido na terça-feira (16/02), mas divulgado somente agora.

De acordo com a polícia, a chave que abre o cofre é a mesma que abre a porta da sala. A funcionária responsável por guardar os recursos teria duas cópias dessa chave. Uma delas sumiu, e ela não percebeu. Na terça-feira, a funcionária encontrou o cofre vazio, mas sem sinais de arrombamento.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Roubos e Furtos.

Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria de Segurança Pública informou que está apurando a responsabilidade pelo sumiço do dinheiro.

Segue a íntegra da nota:

"A Secretaria de Segurança Pública (SSP) esclarece que tomou todas as providências e está apurando a responsabilidade pelo sumiço de aproximadamente R$ 30 mil que estariam guardados no cofre do setor do Fundo Penitenciário (Funpen), da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária, instalada no segundo andar do prédio da SSP."

A DRF já está tomando os depoimentos dos servidores que trabalham no setor. A perícia já foi feita no local pelo Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim) e ficou constatado no laudo que não houve violação nem da sala e nem do cofre onde estava guardado o dinheiro."

(Fonte: O Globo e imirante)

TOTALITARISMO HEGEMÔNICO - VIAGEM DO GOVERNADOR E DA CACHORRA DE EMPRESÁRIO É DESTAQUE NA IMPRENSA DO PAÍS

A viagem de férias que o governador Cid Gomes (PSB) fez entre os dias 20 e 27 de janeiro passado para os Estados Unidos e o Caribe, a bordo de uma aeronave particular de propriedade do empresário Alexandre Grendene, cuja empresa de calçados recebe incentivos fiscais do governo cearense, além de ser doador de campanha do próprio Cid, tem repercutido nos principais jornais, sites e blog do País.

No site da Revista Veja, primeiro veículo a noticiar o caso, o jornalista Reinaldo Azevedo estranhou a votação de 40 votos a um que derrubou, na Assembleia Legislativa, requerimento do deputado Heitor Férrer (PDT) que solicitava informações sobre a viagem: No avião, um empresário, um governador, uma cachorra, a babá da cachorra… Ou: Cid, o Saddam do Ceará - “Ainda que seja verdade que todo empresário que se instala no Ceará recebe incentivos fiscais, não é verdade que todo empresário que se instala no Ceará cede um jato ao governador. Se o incentivo os iguala, o presentinho os distingue”.

A Folha de São Paulo também publicou matéria sobre o assunto: Assembleia nega pedido de explicações sobre viagem de Cid Gomes - “Único a votar a favor do requerimento, Férrer vai ao Ministério Público Estadual com uma representação sobre o caso”.

No jornal O Estado de São Paulo, a coluna de Tuty Vasques fez graça com o episódio: Humor - “Cid Gomes viajou em janeiro a sós com a mulher para os EUA em jatinho de empresário beneficiado por incentivos fiscais no Ceará. Isso quer dizer o seguinte: o governador deve ter brigado com a sogra para excluí-la do passeio”.

O jornal O Globo conseguiu a primeira declaração do empresário Alexandre Grendene sobre a polêmica “carona”: Empresário, dono da Grendene, admite ter dado carona para Cid Gomes - “Eu não emprestei (o jatinho). Eu fui. É diferente. Qual o problema de eu dar uma carona? Eu ia para lá, tinha lugar, e ele (Cid) é meu amigo há 20 anos”.

Grendene

Grendene (na foto acima com Cid Gomes) é um dos fundadores da fabricante de calçados Grendene, que tem benefícios fiscais no Estado do Ceará.

Segundo a Revista Veja, os incentivos fiscais dados a Grendene foram renovados por mais 15 anos em 2009, na primeira gestão de Cid Gomes.

A empresa de Grendene também doou R$ 1,2 milhão para a campanha à reeleição do governador no ano passado.

Para o deputado Heitor Férrer (PDT), que protocolou Requerimento solicitando explicações a respeito da situação, o eventual uso do avião do empresário pode caracterizar improbidade administrativa.

"Eticamente ele não pode receber essa 'premiação'. Pedimos transparência." Disse o Deputado que teve o Requerimento indeferido na Assembleia Legislativa do Ceará por 40 x 1 - apenas ele votou favorável ao Requerimento. Cid é um totalitarista hegemônico no Ceará, e detém maioria absoluta na Assembleia Legislativa local.

Outro lado

A imprensa questionou o governador sobre o uso do avião e os benefícios fiscais, mas não houve resposta integral para ambas as situações. Cid se manifestou apenas sobre o uso do avião, dizendo que era uma carona e não envolvia dinheiro público, ademais estava de férias e não tem que dá satisfação a respeito da sua vida pessoal.

Eu estava em Fortaleza e fiquei sabendo que o governador também ia para os Estados Unidos. Fomos eu, minha esposa, a minha cachorra, a babá da cachorra, o Júlio Ventura, o governador e a esposa dele”. Disse Alexandre Grendene, empresário gaúcho que levou o governador Cid Gomes para passear de jatinho nos EUA, revelando que não faz diferença entre amigos, parentes e a cachorra, mas sem contar quem viaja sentado ao lado da melhor janelinha.

A fabricante de calçados gaúcha começou a transferir sua produção para o Ceará em 1990, devido à concessão de benefícios fiscais. A parte administrativa ainda funciona no Rio Grande do Sul.

Hoje, a Grendene possui nove unidades no Ceará. A maior parte delas fica em Sobral, cidade onde Cid Gomes foi Prefeito duas vezes.

A primeira fábrica no município foi inaugurada em 1993, quando o governador era Ciro Gomes, irmão de Cid, ambos hoje no PSB.

(Fonte: Brasil_da_corrupção, Jangadeiro online, Coluna do Augusto Nunes - Veja, Estado de São Paulo, O Globo, A Folha de São Paulo)

ACUSADO DE TRÁFICO DE DROGAS É MORTO NA CAPITAL

João Mariano da Costa, o "Chinês", 38 anos, acusado de tráfico de drogas, foi morto na rua Leão Veloso, no bairro Parque Iracema, em Fortaleza - CE, na tarde desta sexta-feira (18/02). Ele estava ao volante de um veículo Renault Clio, de placas KLA-1832 - CE, quando foi emboscado e tombou no banco do passageiro, depois de ser baleado duas vezes na cabeça.

Segundo a Polícia, a namorada da vítima, cujo nome não foi divulgado, estava no banco do passageiro do automóvel no momento da execução, mas não foi atingida e, em seguida, fugiu do local. Segundo levantamentos realizados por policiais civis da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e militares da 2ª Companhia do 5º BPM (Messejana), o principal suspeito é o cunhado de João, identificado apenas por Bruno.

Testemunhas relataram ter presenciado o momento em que o automóvel guiado pela vítima parou no cruzamento e, em seguida, um veículo Polo, com três pessoas a bordo emparelhou com o Renault Clio. Instantes depois foram ouvidos vários estampidos.

(Fonte: Plantão Policial e Diário do Nordeste)

OBITUÁRIO - FRANCISCO EDUARDO BESSA DE QUEIROZ

Faleceu ontem (19/02), o Ex-Prefeito de Beberibe - CE, Francisco Eduardo Bessa de Queiroz. Eduardo Bessa foi eleito a primeira vez Prefeito de Beberibe em 15 de novembro de 1982, pelo antigo PDS, e novamente em 03 de outubro de 1992, pelo PDC.

Nossos sentimentos à família enlutada.

Adail Bessa de Queiroz & família.

MISSA - 7º DIA

Local: Igreja N. Sra. de Loreto – Base Aérea de Fortaleza (Av. Borges de Melo - Aerolândia)
Data: 25/02 (sexta feira )
Hora: 19h.
Informação: Eduardo Filho.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

BANDIDOS DO BEM MOCINHOS DO MAL

"Antes havia um leitor. Hoje há um consumidor que se recusa a fazer esforço [de compreensão]. É como se a ignorância fosse uma virtude."
(Inácio Araujo, crítico de cinema)

Se pudéssemos enxergar o bem e o mal como categorias sem impurezas talvez devêssemos reposicioná-las no quadro exposto em nossa bem fornida sala de estar. Porque quase nunca estão onde deveriam estar.

Há filmes que por meio da ironia revelam o quanto na cidade moderna (e pós-moderna) as instituições que deveriam defender o bem se comportam como representantes do mal e, contrariamente, como figuras tidas como expressão do mal agem de acordo com as mais basais noções do bem. Alguns faroestes procedem dessa maneira e há uma boa safra de filmes mais ou menos recentes, de variados gêneros, fazendo o mesmo.

Em "Poder Absoluto" de Clint Eastwood, 1997, um sofisticado ladrão de jóias (o próprio Eastwood) testemunha por acaso o assassinato meio que acidental da jovem esposa de um milionário pelos seguranças do presidente dos Estados Unidos (Gene Hackman). A partir de um tão inusitado duplo acidente de trabalho o thriller delineia um nítido posicionamento moral. Reduzida à condição de conto moral a trama poderia estar contida na seguinte frase: o bandido age como mocinho e o mocinho como um chefe de quadrilha. Ou, de outra forma: os representantes do poder, da lei e da ordem rotineiramente são os verdadeiros crápulas. Condensado a um tal ponto o filme certamente perderia eficácia e interesse. Mas se observado para além de seus atributos de mero entretenimento é esta a idéia que conduz a narrativa.

Pelo menos desde "No Tempo das Diligências" de John Ford, 1939, mas certamente desde muito antes, o cinema, como toda arte, investe boa parte de suas energias na construção de tramas com o mesmo sentido. Para o crítico André Bazin, por exemplo, o gênio formal de Orson Welles não escamoteia a "mensagem intelectual e moral" de seus filmes, muito pelo contrário. Mas, alerta, se "fossem apenas a expressão desse ponto de vista (moral), não passariam de filmes de tese ou melodramas" (em "Orson Welles", Jorge Zahar Editor, 2006).

Num outro livro Bazin diz que o filme de Ford "nos mostra que uma prostituta pode ser mais respeitável do que os beatos que a expulsaram da cidade..., que um jogador debochado pode saber morrer com a dignidade de um aristocrata, ... (que) um fora-da-lei perseguido... (pode) dar provas de lealdade, de generosidade, de coragem e de delicadeza, enquanto um banqueiro... foge com o cofre" ("O Cinema – Ensaios" – Editora Brasiliense, 1991).

Noutro dos filmes de Eastwood, o faroeste "Os Imperdoáveis", de 1992, pelo qual Bazin certamente teria se encantado (Bazin – que morreu precocemente, em 1958, aos 40 anos de idade – escreveu pelo menos três extraordinários artigos nos quais caracterizava o faroeste como "o cinema americano por excelência" – estes três pequenos ensaios estão no livro citado acima), o mesmo esquema está presente. Desta vez com força dramática muito mais poderosa e um resultado estético simplesmente espetacular. Não há quem não tenha se deliciado com a saga do velho pistoleiro (assassino de aluguel) aposentado William Munny (Eastwood), contratado pelas prostitutas da sombria e fria Big Whiskey para vingar um delas, contra o xerife da cidade (o mesmo Hackman de "Poder Absoluto").

Gângsteres

Michael Mann é outro dos atuais diretores que escolhem tratar dessa inversão escondida sob a superfície brilhosa da cidade. É o caso de "Inimigos Públicos" (com Johnny Depp), de 2009, na qual acompanha a trajetória do famoso gângster John Dillinger.

Abro um parêntesis apenas para lembrar que Mann é o diretor de "O Último dos Moicanos", de 1992, no qual se pode assistir a uma das sequências cuja montagem e harmonia com a trilha sonora certamente poderia figurar entre as mais bem sucedidas e geniais da história do cinema. Falo daquela que se inicia no exato momento em que Daniel Day Lewis dispara contra o oficial britânico que está sendo queimado na fogueira e se encerra, quase na última cena, com a morte de Magua, o guerreiro yuron, por Chingachgook, justamente o último dos moicanos ("the last of moycan people"). O filme, na realidade, parece querer fincar seus procedimentos exatamente neste que é um dos elementos essenciais do bom cinema: a montagem. Sobre o qual, respondendo a Bazin, Orson Welles dizia ser "o único momento em que (o diretor) controla completamente a forma do filme". E completava: "Para o meu estilo, para minha visão do cinema, a montagem não é um aspecto, é o aspecto". A montagem era quase que a essência do filme também para outro dos seus gênios, o russo Sergei Eisenstein.

Mann é também o diretor de "O Informante" (com Russel Crowe e Al Pacino), sobre a guerra da indústria tabagista contra um de seus ex-executivos que decide botar a boca no trombone e denunciar seus procedimentos criminosos contra a saúde pública em geral e os viciados em nicotina em particular. Procedimentos em tudo semelhantes aos adotados pelos grandes cartéis das drogas ilícitas – algumas das quais são infinitamente menos maléficas que o famigerado cigarro.

E Nós, os Inocentes Espectadores de Cinema?

Mas, nós, os espectadores como representação do grande público (ou do "espectador médio", nas palavras de Bazin) que vai ao cinema, será que nos damos conta do que está sendo dito e destacado na tessitura dos filmes? E destaco o cinema dos outros meios porque de todas as formas de expressão artística o cinema é provavelmente aquela que mais incorpora ao desenrolar dramático o entorno, a ambientação, os elementos que, afinal, se servem para nos seduzir e convencer servem também para desviar o foco do olhar e desorientar a percepção quanto aquilo que está sendo dito (o quê da coisa). (Talvez tenha sido este o princípio utilizado por Lars von Trier ao abolir todos os elementos cenográficos em "Dogville" – como sabemos, a cidadezinha do filme é representada apenas por linhas brancas pintadas no chão.)

O que, por exemplo, se pode enxergar para além do espetacular aparato de imagens e sons que envolve e praticamente acoberta a trama de um filme como "A Origem"?

Noutras palavras, qual o significado do drama (seja o mostrado no cinema, seja na literatura ou qualquer outro meio) para a formação da consciência média contemporânea?

Incorporamos o alerta e tiramos dele as devidas lições?

Na realidade, tenho tremenda dificuldade de acreditar que exista de fato outro significado que não o de produto de consumo rápido e imediato. Puro entretenimento, mero passatempo. Por mais que se construam como obra de arte e mesmo quando tragam quase que explicitado um posicionamento moral.

Evidentemente não se pode responsabilizar o filme de qualidade pela qualidade do espectador que o assiste. É claro que um filme como "Cidadão Kane" está "decididamente acima da idade mental do espectador americano", como diz Bazin. Na realidade, considerada a idade mental dos prósperos cidadãos do mundo pós-moderno, não será preciso ser um Orson Welles para realizar filmes definitivamente inatingíveis e inócuos. Bastará que se faça um thriller com algum conteúdo.

Nós, os famigerados espectadores, temos às vezes uma infinita capacidade de ignorar aquilo que nos incomoda e de deglutir somente o que não nos exige esforço.

Iñarritu e o Espectador

Toda vez que vejo declarações como a do excelente cineasta mexicano Alejandro González Iñarritu de que "é preciso entreter, contar histórias que mantenham o espectador atento" fico pensando se o espectador não é visto como um autômato sem vontade própria, cuja atenção é mantida pela hábil manipulação da história por parte do autor e não por resultado do seu próprio desejo. Pergunto-me simultaneamente qual terá sido o esforço de James Joyce para capturar a atenção do leitor de "Ulisses" que não o de simplesmente instigar-lhe a própria curiosidade e respeitar sua inteligência.

(Fonte: Halley Margon. Via e-mail da Fundação Lauro Campos)

DAS COLINAS DE GOLAN À SERRA PELADA: A POLÍCIA E A ORGANIZAÇÃO DO CRIME NO RIO DE JANEIRO

Como dizia Marx, a história, quando se repete, ou é como farsa ou como tragédia. Na Guerra do Rio, vimos a farsa na transformação midiática do aparato policial em "heróis" que retomavam as Colinas de Golan, no dia "G" do sistema Globo e demais subordinados.

Na atual crise da polícia do Rio de Janeiro a repetição nos vem como tragédia. Os "heróis" libertadores do Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro transformam-se, como num passe de mágica, nos rapinadores que roubam a população, saqueiam o espólio dos traficantes e revendem drogas e armas de volta para o crime, além de venderem informações para os criminosos e fazerem segurança de bingos e caça-níqueis.

Mas, afinal, quem nunca soube disto. Quem acreditou que os "heróis" eram verdadeiramente heróis? Quem nos quis fazer acreditar nisto?

O discurso agora é o da "limpeza da polícia", do "cortar na própria carne", do "saneamento da segurança pública". Mas aí, no meio da Operação Guilhotina, a cúpula resolve se engalfinhar. Assistimos a uma espécie Revolução Francesa da polícia, na qual um começa a guilhotinar o outro. Restando-nos o risco de termos todo o aparato policial guilhotinado. Mas aí, quem sabe, começaríamos a queda da Bastilha do crime organizado. Nossa tragédia, então, seria acreditar nisto.

Enquanto a faxina da Guilhotina continua a expor a ponta do iceberg da banda podre, eufemismo para nos fazer acreditar que há uma banda boa que possa salvar a instituição policial, há, cada vez mais, a certeza que ela mudará alguma coisa para que tudo permaneça como está.

Presos na agenda midiática da crise da polícia somos, mais uma vez, conduzidos pelos interesses que nos querem fazer acreditar em mudança do sistema de segurança, em soluções de cúpula, em operações saneadoras.

No dia a dia, porém, a máquina continua a operar. Falam agora na nova Serra Pelada do Morro de São Carlos. Mas me digam, quando é que as favelas deixaram de ser área de garimpagem de policiais? Onde o crime organizado operou sem os acordos com o aparato policial? Qual favela que não teve e tem drogas, armas, lideranças criminosas e, no caso das milícias, taxa de segurança, acesso a informação, gás, transporte, terra e voto controlados por policiais e seus acordos?

Este mesmo aparato policial é que pratica a execução sumária que visa limpar a sociedade dos bandidos. São eles que operam a ideologia da política pública de segurança na qual bandido bom é bandido morto. Que faz o País parar à espera do sangue dos criminosos do Alemão. Que se ufana da bandeira brasileira tremulando na colina do complexo, cravada no coração do povo pobre torturado e roubado, à mercê do novo acordo entre policiais e os operadores do crime, quando não, as milícias organizadas pelos mesmos policiais. Se fossem coerentes, suicidavam-se.

Esta mesma população que aplaude a tropa de elite, os "heróis" incorruptíveis, não percebe que cada morto nesta guerra reforça ainda mais o poder do aparato criminoso. O poder de exceção do Estado é praticado a cada execução em nome da lei e da ordem de uma sociedade presa à sua própria impotência, forçada a caminhar para frente, sem perceber o quão distante está do começo de uma solução.

Entretidos com a briga intestinal da polícia, associamos sua solução à solução do problema da segurança.

Parabéns para o sistema global. Aliás, poderia ser dado, a este sistema, a chefia do Setor de Contrainteligência da Secretaria de Segurança Pública. Pelo menos não seria acusado de incompetente.

(Fonte: José Cláudio Souza Alves - Via e-mail da Fundação Lauro Campos)

UM SALÁRIO MÍNIMO MAIOR É POSSÍVEL E NECESSÁRIO

Neste debate sobre o salário mínimo, há questões pouco lembradas que o PSOL - Partido Socialismo e Liberdade, tem a obrigação de trazer ao debate:

1) O Artigo 7°, inciso IV da Constituição Federal, afirma que é direito do trabalhador o salário mínimo capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos), o salário mínimo necessário para garantir estes DIREITOS seria de R$ 2.227,53 - em valores de dezembro de 2010. Isso deveria ser meta para quem quer um país menos desigual (como, aliás, o PT, antes de ser governo, sempre defendeu).

Estão equivocados os que afirmam que o salário mínimo atingiu o maior nível dos últimos 40 anos. Ainda segundo o DIEESE, o salário mínimo em 2010 ainda estava inferior ao ano de 1986, por exemplo. Importante relembrar que o presidente Lula havia prometido dobrar o poder de compra do salário mínimo em seu primeiro mandato. Para que esta promessa fosse cumprida, o mínimo deveria estar hoje em R$ 700. Tínhamos a obrigação de debater e viabilizar este valor.

Diz o jornal O Estado de S. Paulo (14/2/2011, Nacional, pág. A7), insuspeito de privilegiar os interesses dos trabalhadores: "Outro dado que reforça o cenário de perda maior do poder de compra pelos mais pobres é o aumento da cesta básica, que na média nacional subiu 15,8% nos 12 meses encerrados em janeiro (segundo dados da página do Banco Central). A reposição apenas pela inflação cheia representa perda real de renda para parte significativa da população."

2) Para manter mínimo o salário mínimo e limitar os gastos com a Previdência Social, o governo e diversos analistas costumam utilizar o falacioso discurso de "déficit" na Previdência. Ele só existe quando se considera como receitas da Previdência Social, apenas a contribuição previdenciária sobre a folha de salários.

Porém, a Previdência está inserida na Seguridade Social, que também reúne as áreas de saúde e assistência social, e cujas receitas não se limitam à contribuição previdenciária sobre a folha, mas abrangem também contribuições como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Tabela elaborada pela Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) mostra que a Seguridade Social tem apresentado seguidos superávits, mesmo após a crise global, que reduziu enormemente a arrecadação tributária em 2009: nos anos de 2007, 2008 e 2009 a Seguridade Social apresentou superávits de, respectivamente, R$ 72,8 bilhões, R$ 64,8 bilhões e R$ 32,6 bilhões. Portanto, nestes 3 anos, o superávit da Seguridade Social atingiu, em média, R$ 56,7 bilhões, valor este que poderia garantir um salário mínimo de R$ 738 em 2011.

3) Alega-se também que, caso o salário mínimo fosse aumentado significativamente, haveria uma demissão em massa de trabalhadores no setor privado. Porém, tal medida poderia ser acompanhada pela redução dos tributos incidentes sobre o consumo, e o aumento da tributação sobre o patrimônio e a renda (principalmente dos rentistas), atualmente aliviados pela injusta estrutura tributária brasileira. De fato, o capital teria sua alta remuneração um pouco reduzida, em favor da valorização do fator trabalho. Mas é isso mesmo que defendemos!

4) Outro argumento recorrente para contestar um acréscimo significativo no salário mínimo é o de que este inviabilizaria os orçamentos municipais. Números da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estimam em R$ 38 milhões o impacto nas contas das prefeituras para cada R$ 1,00 de aumento dado ao mínimo. Portanto, se o salário mínimo for para R$ 700,00, aumentará as contas municipais em 5,89 bilhões em relação à proposta do governo. Esse impacto pode ser facilmente revertido com o aumento dos repasses da União, hoje em apenas 9,2%, a partir de recursos hoje destinados ao intocável pagamento da dívida (5 vezes maiores do que essas atuais transferências!)

5) O DIEESE atualizou a série histórica do salário mínimo, trazendo seus preços para o mês de junho de 2010. Este importante trabalho é revelador, pois os dados foram deflacionados mês a mês, o que nos permite avaliação minuciosa. O salário mínimo passou a vigorar em julho de 1940, no governo do presidente Getúlio Vargas. Atualizado a preços de 2010, nasceu valendo R$ 1.126,57, isto é, 120% maior do que o salário mínimo de hoje!

Já no governo de Juscelino Kubitschek (1956 – 61) o salário mínimo alcançou o seu maior poder de compra: convertido a preços de 2010 representa R$ 1.623,18 em janeiro de 1959 (218% maior que o praticado no Brasil atualmente). Esta marca foi recorde em sua trajetória.

A história do salário mínimo no Brasil é uma gangorra, com momentos de ascensão do seu poder de compra e períodos de declínio. Chegou ao fundo do poço em abril de 1992, no governo Collor de Mello (1990 – 92), quando valeu, segundo o Dieese R$ 191,18.

Desde sua criação, portanto, o salário mínimo foi maior que o atual na primeira metade da década de 40, nas décadas de 50, 60, 70 e até mesmo em parte da década de 80 – considerada a década perdida.

6) Vale ressaltar a impropriedade do Congresso aprovar a toque de caixa um aumento de 62% para deputados e senadores, com seu efeito cascata, e aumentos ainda maiores para a Presidente da República e ministros, enquanto não permite aumento real para o salário mínimo. Se este recebesse também o índice de reajuste de 62%, chegaria a R$ 826,20.

7) Neste embate, e também em vários outros (tais como os relacionados às verbas da saúde, educação, etc.) poucos apontam a verdadeira razão pela qual os gastos sociais não podem ser aumentados: a destinação da maior parte do Orçamento para o pagamento da dívida pública.

Em 2010, nada menos que 44% do Orçamento (R$ 635 bilhões) foram destinados para o pagamento de juros, amortizações e o chamado "refinanciamento" ou "rolagem" da dívida, ou seja, o pagamento de amortizações por meio da emissão de novos títulos. Por outro lado, gastos sociais fundamentais responderam por parcelas dezenas de vezes menores, tais como a educação (2,89%), saúde (3,91%) e reforma agrária (0,16%).

Dos gastos com a dívida, 58% se deveram ao chamado "refinanciamento". Muitos analistas alegam que ele não deveria ser considerado, pois representaria somente a troca de títulos antigos por novos, sem haver um dispêndio de recursos. Porém, a "rolagem" obriga o Tesouro a pedir empréstimos de dezenas de bilhões de reais, todo mês, a bancos nacionais, transnacionais e fundos de investimentos, para pagar as dívidas que estão vencendo. Os grandes rentistas se aproveitam disso para promover uma chantagem diária contra o governo: a qualquer rumor de alteração na política econômica (por exemplo, redução do superávit primário, controle sobre o fluxo de capitais financeiros, redução nas taxas de juros, etc), imediatamente o "mercado" exige taxas de juros mais altas para rolar a dívida. Investigações da CPI da Dívida recentemente concluída na Câmara dos Deputados constataram que parte dos juros são contabilizados dentro do "refinanciamento". Requerimento de Informações do Dep. Ivan Valente (PSOL/SP), proponente da CPI, solicitando ao governo os montantes efetivamente gastos com juros, não foram respondidos pelo Ministério da Fazenda nem pelo Banco Central.

8) O primeiro passo para o enfrentamento do problema da dívida pública – que impede o atendimento das urgentes necessidades sociais no país - é uma ampla e profunda auditoria, prevista no Art. 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias de 1988 e jamais realizada. A CPI constatou diversos e graves indícios de ilegalidades do endividamento. Alguns destes indícios são a aplicação de juros sobre juros (já julgada ilegal pelo STF) e a realização de reuniões entre o Banco Central e representantes dos rentistas da dívida pública para estimar variáveis como inflação, crescimento e juros. Posteriormente estas "análises" são utilizadas pelo próprio COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) na definição das taxas de juros, beneficiando esses "consultores" do capital financeiro.

Recentemente, o Equador mostrou a viabilidade de se auditar a dívida pública, enfrentando o "todo-poderoso mercado": seu governo instituiu, em 2007, a Comisión para la Auditoría Integral del Credito Publico (CAIC), que contou com a participação de entidades da sociedade civil nacional e internacional. Diversas ilegalidades do endividamento foram documentadas, o que embasou a decisão soberana do governo equatoriano, em 2009, de anular 70% da dívida externa com os bancos privados internacionais.

Ficou assim demonstrada a viabilidade de se anular grande parte da dívida com base em uma auditoria, sem que tenha havido qualquer crise, contrariando os argumentos neoliberais.

9) Com a palavra, por fim, o economista Afrânio Boppré, dirigente nacional do PSOL:

"Salário nunca foi uma definição técnica e sim resultado da correlação de forças entre capital e trabalho. Portanto, salário tem na política sua definição. Um entrave técnico-político para aumentar o salário mínimo está no fato de haver uma vinculação entre salário de mercado de trabalho e piso da seguridade/assistência social. Argumenta-se que aumentando o salário mínimo para o piso da seguridade/assistência estouraria o equilíbrio de suas contas. No entanto, com vontade política pode-se desvincular parcialmente esta trava, mudando a política econômica: que os vultosos recursos para o pagamento da dívida pública sejam drenados para ajustar posições de desequilíbrio em suas contas. Pagar a dívida pública gerando dívida social é uma opção meramente política, como alertou até o moderadíssimo Tancredo Neves.

Uma política substantiva para o salário mínimo deveria levar em consideração as seguintes iniciativas, para conferir-lhe função de mudança social real: a) salário mínimo voltado ao mercado de trabalho; b) reajuste semestral para preservar o seu poder de compra contra a inflação; c) aumento anual de acordo com a evolução do PIB (variação da riqueza nacional); d) aceleração da recuperação das perdas históricas com aumentos periódicos em torno de 5% a 10% ao ano; e) criação de uma política de transição para piso da seguridade/assistência."

10) A economia brasileira ampliou a sua capacidade de produzir riqueza. Não só o Brasil está muito mais urbanizado e industrial em relação aos anos 50 como a forma de produzir a riqueza também mudou significativamente. Novos aportes tecnológicos chegaram na indústria, nos serviços e na área rural. Mas não houve distribuição e avanços correspondentes nos ganhos do salário do trabalhador. Nosso pressuposto é que nossa economia comporta folgadamente uma melhor remuneração de seus assalariados. Sindicatos fortes e independentes, sociedade disposta a lutar pela igualdade social e estrutura jurídica menos submetida aos interesses do capital são a base para a reversão da situação. Se quisermos justiça social, precisamos de coragem política e ousadia para enfrentar a ditadura do capital financeiro e dos lucros extraordinários.

O governo conseguiu aprovar o salário mínimo de R$ 545. Após 16 anos - mesmo com um crescimento de 7% da economia - não houve reajuste acima da inflação. A proposta do PSOL era de R$ 700, tomando por base estudos concretos de sua viabilidade. Foi o único partido a questionar a contenção de despesas e a prorrogação do superavit primária.

(Fonte: Chico Alencar - PSOL. Via e-mail da Fundação Lauro Campos)

IGREJA DEVE PAGAR R$ 15 MIL A NOIVA POR CANCELAR CASAMENTO

A 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a sentença que condenou a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro (Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro) a indenizar uma noiva por ter desmarcado seu casamento a menos de dois meses de sua realização. Danielle Marie Villela Eiras Uhebe receberá cerca de R$ 15 mil por danos morais e materiais. A "Igreja" (foto acima), que na época alegou estar em obras e cancelou a cerimônia, entrou com recurso especial para que o caso seja reexaminado pelo Superior Tribunal de Justiça.

De acordo com o relator do processo, desembargador Otávio Rodrigues, os documentos mostram que, em 5 de abril de 2006, Danielle contatou a Irmandade e reservou a Igreja do Outeiro da Glória para a realização de seu casamento, que aconteceria em 8 de junho de 2007. Mesmo depois de ter efetuado o pagamento do valor cobrado, em abril de 2007, a noiva recebeu uma carta comunicando a indisponibilidade do templo para o evento.

Danielle, que cuidava dos preparativos da festa e já tinha contratado o cerimonial e encomendado os convites, ao receber a correspondência, teve que procurar outra igreja.

"Obviamente que a autora teve frustração e grande transtorno emocional diante da inesperada notícia e desrespeito ao ato jurídico perfeito. Se a apelante pretendia fazer obras, primeiro deveria cumprir todos os compromissos, não realizar outros e, assim, atender a programação estabelecida", destacou o desembargador Otávio Rodrigues em seu voto.

(Fonte: Terra)